Artigo

 O Desafio de Amar
Desafio de Amar
Sigam o caminho do Amor...
(I Corintios, 14. 1)

 
Em nosso processo evolutivo precisamos nos relacionar com nós mesmos, com o próximo, com o mundo que nos cerca e com Deus. Jesus, nosso modelo e guia, resumiu toda Lei e os Profetas na máxima que tem como base o processo de relacionamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos”. Esse o nosso principal desafio, colocar a Lei de Amor em nossas relações intra e interpessoais, de acordo com os princípios trazidos pelo Cristo.  A prática é essencial e nós só conseguiremos compreender a Lei à medida que a colocarmos em nosso dia a dia, através das escolhas que vamos fazendo diante das situações que a vida nos apresenta. Precisamos estudar, refletir e elaborar formas para expressar cada dia melhor o nosso Amor mesmo que os outros não saibam recebe-lo.
É comum ouvirmos que, em matéria de relacionamentos, devemos seguir o nosso coração. Digo porém, alma querida, que a Doutrina Espírita nos esclarece que convém educar nosso ímpetos emocionais, treinar o autocontrole, direcionar o coração para o caminho que a nossa razão indica ser o correto. Razão e fé, coração e mente precisam andar de mãos dadas.
Podemos dizer que a paciência é o primeiro desafio para aquele que decide andar pelos caminhos do Amor. Não se trata aqui da subserviência patológica, mas da substituição do pensamento íntimo de “Como se atreve?!”  pelo “Me ajude a atender o seu processo”. Essa reflexão é primordial para  guiar o próprio coração e orientá-lo pela senda do Bem.
Amar é também cuidar do outro e jamais retribuir o mal com o mal. Se a tentação de discutir ou de agir agressivamente surgir, abandone por um tempo o território da ameaça ao seu equilíbrio  e mergulhe em seu santuário interior utilizando os recursos que você já conhece: Oração, meditação, música harmonizante, boa leitura e silêncio construtivo. Na constância desse procedimento ativamos em nós o poder do autocontrole e percebemos que, em realidade, tudo se situa somente entre nós e Deus. As circunstâncias desafiadoras são mobilizações para a conquista dos poderes eternos do Espírito.
Nada melhor que os relacionamentos para colocar em evidência os traços de personalidade egoica que necessitamos reorientar. Nosso objetivo existencial não é tratar o egoísmo alheio, mas os nossos desvios e não podemos perder o Amor como foco orientador de nossas escolhas. Alimentamos nosso traço egoico quando tratamos nossos desejos pessoais com prioridade absoluta, acima das necessidades de nossos companheiros de jornada. A lista de manifestação do egoísmo é longa e coloco nesse texto alguns itens não para ativar sentimento de culpa inútil, nem para que procuremos nos outros indícios dessa patologia da alma. É simplesmente para nos auxiliar a identificar essa erva daninha que se enraíza em nós e bloqueia a alegria de viver que, como filhos de Deus, merecemos:Expressar mau humor constante, queixar-se e aborrecer-se com facilidade, não escutar o outro, vangloriar-se, exigir que os outros façam tudo de acordo com o nosso modelo, colocar a própria vida como exemplo aos outros, debochar e brincar diminuindo os companheiros...  Essas ações desfazem a saúde dos relacionamentos e evidenciam a existência em nós de dificuldades emocionais e disfunções comportamentais que precisamos superar.
O Amor filtra as palavras com a peneira da gentileza, da bondade e pensa antes de falar. Não maltrata, é cuidadoso em seus modos, delicado, mesmo com as pessoas mais íntimas de suas relações. Ouve primeiro as razões do outro com atenção e pensa antes de falar, mantém o tom de voz calmo e argumenta com humildade, esclarecendo seus pontos de vista sem impô-los como verdade absoluta a ninguém.  É grato e compartilha o que de melhor possui, perdoa e não guarda rancor, fica feliz quando o outro é bem sucedido.
Com os olhos do Amor começamos a perceber que as pessoas não possuem defeitos, masdificuldades. Ao substituirmos a palavra defeito por dificuldade nossa reação diante do equívoco alheio se altera profundamente, porque passamos a compreender os limites do outro, e não mais desejamos que ele sofra por não conseguir comportar-se à altura de nossas expectativas.
No Capítulo XI do Evangelho Segundo o Espiritismo Allan Kardec faz profunda análise da Lei de Amor e nos traz orientações de Espíritos Luminosos sobre como conduzir nossas vidas em direção à alegria de viver mesmo estando reencarnados na Terra. Colocar o Amor em ação, com os nossos pensamentos e atitudes, nos desvela um novo Universo, um novo estado de ser, uma nova morada...

Referências
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131.ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2013.
Yasmin Madeira

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