Boa Matéria

São Jorge

Reconheço que na maioria da vida dos santos há abnegação, sacrifício, compaixão. E, é claro, esforço e graça em amar o outro, principalmente quando esse outro são crianças, bichos, velhinhos. Os santos amaram, cada um ao seu modo, a imensa legião dos sem. Sem dinheiro, sem casa, sem país, sem alfabeto, sem direitos, sem sorte. Praticaram o chamado e idealizado amor gratuito.
Sempre me surpreendeu quando um amigo ou conhecido revelava seu santo de devoção. Filha de mãe e pai ateus, vivi minha infância sem medalhinhas ou retratinhos bentos. Mas, brasileira, sou herdeira de uma religiosidade mestiça, abundante e flexível. Daí, já na minha vida adulta, percebi que eu também precisava eleger um santo pra chamar de meu.
Por fidelidade de gênero, no princípio, procurei uma santa. Tendi para a Santa Clara, uma vez que no começo da minha de saga de trabalhadora estive envolvida com cinema, vídeo e televisão. Encontrei poética a ideia de uma santa que, em 1688, fez uma menina cega voltar a ver. Clara de Assis que se tornaria, no século XX, a padroeira dos ofícios da imagem. Mas foi uma escolha cerebral demais, não pegou no coração. Segui deserdada de santo.
Até que numa data qualquer, ouvindo uma emissora de rádio, me encantei com a voz da xará Fernanda Abreu interpretando Jorge da Capadócia, de outro Jorge, o Ben Jor: "Jorge sentou praça/ na cavalaria / Eu estou feliz / porque eu também / sou da sua companhia." A partir daí, minha memória ateia passou a recuperar milhares de imagens do lanceiro sobre um cavalo. Nos táxis, nas cozinhas, nos bares, nos barracos. O cavaleiro lutando contra o dragão da maldade.
Gostei principalmente de ele ser um santo guerreiro. Aquele que sabe que paz se conquista com luta. Pronto. Virei São Jorge. Entrei para a legião dos milhões de devotos. Ele é santo em rede, conhecido no Oriente e Ocidente, popular nas igrejas Católica, Ortodoxa, Anglicana. Aquele que conjuga força e, pois uma nada pode sem a outra. Se você age sem acreditar, dá em nada. Também dá em nada acreditar sem agir. Por fim, São Jorge é Ogum! "E beira-rio, beira-rio, beira-mar / o que se ganha de Ogum / só Ogum pode tirar."
Imagem: Régine Ferrandis, "São Jorge lutando com o dragão", de Rafael.

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Mensagem de ano novo


Resolução para o Ano Novo
Texto extraído do livro "Opinião Espírita", Chico Xavier (André Luiz)
Afora tu mesmo, ninguém te decide o destino...
Somos tangidos por fatos e problemas a exigirem a manifestação de nossa vontade em todas as circunstâncias.
Muito embora disponhamos de recursos infinitos de escolha para assumir gesto determinado ou desenvolver certa ação, invariavelmente, estamos constrangidos a optar por um só caminho, de cada vez, para expressar os desígnios pessoais na construção do destino.
Conquanto possamos caminhar mil léguas, somente progredimos em substância avançando passo a passo.
Daí, a importância da existência terrena, temporária e limitada em muitos ângulos porém rica e promissora quanto aos ensejos que nos faculta para automatizar o bem, no campo de nós mesmos, mediante a possibilidade de sermos bons para os outros.
Decisão é necessidade permanente.
Nossa vontade não pode ser multipartida.
Idéia, verbo e atitude exprimem resoluções de nossas almas, a frutificarem bênçãos de alegria ou lições de reajuste no próprio íntimo.
Vacilação é sintoma de fraqueza moral, tanto quanto desânimo é sinal de doença.
Certeza no bem denuncia felicidade real e confiança de hoje indica serenidade futura.
Progresso é fruto de escolha.
Não há nobre desincumbência com flexibilidade de intenção.
Afora tu mesmo, ninguém te decide o destino...
Se a eventualidade da sementeira é infinita, a fatalidade da colheita é inalienável.
Guardas contigo tesouros de experiências acumulados em milênios de luta que podem crescer, aqui e agora, a critério do teu alvitre.
Recorda que o berço de teu espírito fulge longe da existência terrestre.
O objetivo da perfeição é inevitável benção de Deus e a perenidade da vida constitui o prazo de nosso burilamento, entretanto, o minuto que vives é o veículo da oportunidade para a seleção de valores, obedecendo a horário certo e revelando condições próprias, no ilimitado caminho da evolução. [Decisão, E - Cap. XXIV - Item 15]
Afora tu mesmo, ninguém te decide o destino...

Opinião

Solidão é a arte do encontro com o vazio existencial. Esse vazio tem duplo sentido. Um é o da existência, da busca de um significado metafísico; o outro é o da ausência, da perda de algo importante. A liberdade é uma descoberta solitária e por isso muitos tentam evitá-la.
A solidão é um sentimento que gera angústia e que nos coloca diante de um portal em um mundo interior onde a chave é o sentido do mundo, o porquê das coisas, as perguntas que fazemos e para as quais não encontramos respostas. A solidão também pode ser uma experiência de transcendência. Em seu livro sobre a Escola da Ponte, de Portugal, o escritor Rubem Alves cita que os mestres zen não pretendiam ensinar coisa alguma na forma como entendemos na educação ocidental. O que desejavam era levar seus discípulos a “desaprender” o que sabiam, a ficar livres de qualquer filosofia. Talvez precisemos também desaprender e permitir despertar a lucidez na solidão.
Tudo na vida é um processo de nível de aprendizado, isto é, do interior para o exterior. O psiquiatra Viktor Frankl, criador da logoterapia, ou a terapia do sentido existencial, da esperança, desenvolveu esse método de tratamento nos porões do holocausto nazista em meio à dor, ao sofrimento, à solidão e à morte. A solidão, assim como a doença, pode ser um caminho amadurecido para uma vida melhor. É preciso termos a coragem de aprender com ela e não apenas rejeitá-la. Rejeitar nossa solidão é o mesmo que rejeitar nossos defeitos, nossas misérias humanas. É como se não falássemos em doença e a doença deixasse de existir. Há pessoas que fazem de tudo para evitar falar sobre a solidão, sobre a doença, sobre as misérias humanas. No fundo, é apenas uma tentativa de se evitar o contato com a realidade.
O que é solidão? O psicólogo existencial Jadir Lessa cita o seguinte: “O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) afirma em Ser e Tempo que estar só é a condição original de todo ser humano. Que cada um de nós é só no mundo. É como se o nascimento fosse uma espécie de lançamento da pessoa à sua própria sorte. Podemos nos conformar com isso ou não. Mas nos distinguimos uns dos outros pela maneira como lidamos com a solidão e com o sentimento de liberdade ou de abandono que dela decorre, dependendo do modo como interpretamos a origem de nossa existência. O homem se torna autêntico quando aceita a solidão como o preço da sua própria liberdade. E se torna inautêntico quando interpreta a solidão como abandono, como uma espécie de desconsideração de Deus ou da vida em relação a ele. Com isso abre mão de sua própria existência, tornando-se um estranho para si mesmo, colocando-se a serviço dos outros e diluindo-se no impessoal. Permanece na vida sendo um coadjuvante em sua própria história.”
O ser autêntico é aquele que responde pela sua vida, o ator principal, o arquiteto de sua própria obra-prima, de sua vida.
O psicoterapeuta Flávio Gikovate cita que a solidão é boa, que ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são como ficar sozinho: ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo.
Dedique um breve instante a fechar os olhos, abrir seu coração e sentir todo o amor que vem de dentro dele, no seu silêncio natural e saudável. Cuide de você.

Acontecimentos do Face

UMA COISA É COISA, OUTRA COISA É OUTRA COISA !!!
Ser analfabeto ou não isso não tem nada haver, para você se dedicar a uma coisa que traz tanta esperança aos corações ,que no caso citado foi a psicografia, no mínimo de conhecimento da doutrina a pessoa tem que ter.
“Ah mas Chico Xavier não tinha estudos direito...”
Chico viveu para o espiritismo , e sabia sim , toda a sua historia e grandes nomes que passaram.., até porque era muito questionado sobre tudo, e Emmanuel ,não lhe contava tudo não, mandava ele ler. Basta ler um pouco sobre a historia de Chico e Emmanuel que veremos que Emmanuel nunca lhe deu facilidades.
Como podemos ver, não basta apenas amor para servir ,é preciso sabedoria, experiência para aplicar esse amor bem.
A maioria dos médiuns atuais são bons e tem vidas sociais normais.
Vidas sociais normais, ou seja , passeiam e se divertem com as famílias .Errado?
Não, mas se tem tempo para isso, tem obrigação de saber um pouco da historia daquilo que se dedica, que no caso citado é a psicografia.
Grupo C.E

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