Estudos



O SÉCULO DE AUGUSTO
Terminados os triunviratos, eis que ia cumprir-se a missão do Cristo,
depois de instalados os primeiros Césares do Império Romano.
A aproximação e a presença consoladora do Divino Mestre no
mundo era motivo para que todos os corações experimentassem uma vida
nova, ainda que ignorassem a fonte divina daquelas vibrações
confortadoras. Em vista disso, o governo de Augusto decorreu em grande
tranqüilidade para Roma e para o resto das sociedades organizadas do
planeta. Realizam-se gigantescos esforços edificadores ou reconstrutivos.
Belos monumentos são erigidos. O espírito artístico e filantrópico de
Atenas revive na pessoa de Mecenas, confidente do imperador, cuja
generosidade dispensa a mais carinhosa atenção às inteligências
estudiosas e superiores da época, quais Horácio e Vergílio, que assinalam,
junto de outras nobres expressões intelectuais do tempo, a passagem do
chamado "século de Augusto", com as suas obras numerosas.


TRANSIÇÃO DE UMA ÉPOCA
Depois de Augusto, aparece à barra da História a personalidade
disfarçada e cruel de Tibério, seu filho adotivo, que vê terminar a era de
paz, de trabalho e concórdia, com o regresso do Cordeiro às regiões
sublimadas da Luz.
É nesse reinado que a Judéia leva a efeito a tragédia do Gólgota,
realizando sinistramente as mais remotas profecias.
Não obstante o seu compassivo e desvelado amor, o Divino Mestre é
submetido aos martírios da cruz, por imposição do judaísmo, que lhe não
compreendeu o amor e a humildade. Roma colabora no doloroso
acontecimento com a indiferença fria de Pôncio Pilatos, retornando aos
seus festins e aos seus prazeres, como se desconhecesse as finalidades
mais nobres da vida.
Seguindo a mesma estrada escura de Tibério, Calígula inaugura um
período longo de sombras, de massacres e de incêndios, de devastação e
de sangue.


PROVAÇÕES COLETIVAS DOS JUDEUS E DOS ROMANOS
Os seguidores humildes do Nazareno iniciam, nas regiões da
Palestina, as suas predicações e ensinamentos. Raros apóstolos sabiam
da missão sublimada daquela doutrina sacrossanta, que mandava fazer o
bem pelo mal e instituía o perdão aos próprios inimigos. De perto, seguemlhes
a atividade os emissários solícitos do Senhor, preparando os
caminhos da revolução ideológica do Evangelho. Esses mensageiros do
Alto iniciam, igualmente e de modo indireto, o esforço de auxílio ao
Império nas suas dolorosas provações coletivas.
Um perfeito trabalho de seleção se verifica no ambiente espiritual
das coletividades romanas. Chovem inspirações do Alto preludiando as
dores de Jerusalém e as amarguras da cidade imperial. Vaticínios sinistros
pesam sobre todos os espíritos rebeldes e culpados, e a
verdade é que, depois do cerco de Jerusalém, quando Tito destruiu a
cidade, arrasando-lhe o Templo famoso e dispersando para sempre os
israelitas, viu o orgulhoso vencedor mudar-se o curso das dores para a
sociedade do Império, atormentada pelas tempestades de fogo e cinza que
arrasaram Estábias, Herculânum e Pompéia, destruindo milhares de vidas
florescentes e desequilibrando a existência romana para sempre.

FIM DA VAIDADE HUMANA
O Império Romano, que poderia ter levado a efeito a fundação de um
único Estado na superfície do mundo, em virtude da maravilhosa unidade a
que chegou e mercê do esforço e da proteção do Alto, desapareceu num
mar de ruínas, depois das suas guerras, desvios e circos cheios de feras e
gladiadores.
O imenso organismo apodreceu nas chagas que lhe abriram a
incúria e a impiedade dos próprios filhos e, quando não foi mais possível o
paliativo da misericórdia dos espíritos abnegados e compassivos, dada a
galvanização dos sentimentos gerais na mesa larga dos excessos e
prazeres terrestres, a dor foi chamada a restabelecer o fundamento da
verdade nas almas.
Da orgulhosa cidade dos imperadores não restaram senão pedras
sobre pedras. Sob o látego da expiação e do sofrimento, os Espíritos
culpados trocaram a sua indumentária para a evolução e para o resgate no
cenário infinito da vida, e, enquanto muitos deles ainda choram
nos padecimentos redentores, gemem sobre as ruínas do Coliseu de
Vespasiano os ventos tristes e lamentosos da noite.
A edificação cristã

OS PRIMEIROS CRISTÃOS
Atingindo um período de nova compreensão concernente aos mais
graves problemas da vida, a sociedade da época sentia de perto a
insuficiência das escolas filosóficas conhecidas, no propósito de
solucionar as suas grandes questões. A idéia de uma justiça mais perfeita
para as classes oprimidas tornara-se assunto obsidente para as massas
anônimas e sofredoras.
Em virtude dos seus postulados sublimes de fraternidade, a lição do
Cristo representava o asilo de todos os desesperados e de todos os tristes. As multidões dos
aflitos pareciam ouvir aquela misericordiosa exortação: - "Vinde a mim,
vós todos que sofreis e tendes fome de justiça e eu vos aliviarei" - e da
cruz chegava-lhes, ainda, o alento de uma esperança desconhecida.
A recordação dos exemplos do Mestre não se restringia aos povos
da Judéia, que lhe ouviram diretamente os ensinos imorredouros.
Numerosos centuriões e cidadãos romanos conheceram pessoalmente os
fatos culminantes das pregações do Salvador. Em toda a Ásia Menor, na
Grécia, na África e mesmo nas Gálias, como em Roma, falava-se dEle, da
sua filosofia nova que abraçava todos os infelizes, cheia das claridades
sacrossantas do reino de Deus e da sua justiça. Sua doutrina de perdão e
de amor trazia nova luz aos corações e os seus seguidores destacavam-se
do ambiente corrupto do tempo, pela pureza de costumes e por uma
conduta retilínea e exemplar.
A princípio, as autoridades do Império não ligaram maior
importância à doutrina nascente, mas os Apóstolos ensinavam que, por
Jesus-Cristo, não mais poderia haver diferença entre os livres e os
escravos, entre patrícios e plebeus, porque todos eram irmãos, filhos do
mesmo Deus. O patriciado não podia ver com bons olhos semelhantes
doutrinas. Os cristãos foram acusados de feiticeiros e heréticos, iniciandose
o martirológio com os primeiros editos de proscrição. O Estado não
permitia outras associações independentes, além daquelas consideradas
como cooperativas funerárias e, aproveitando essa exceção, os
seguidores do Crucificado começaram os famosos movimentos das catacumbas.


A PROPAGAÇÃO DO CRISTIANISMO
Na Judéia cresce, então, o número dos prosélitos da nova crença. O
hino de esperanças da manjedoura e do calvário espalha nas almas um
suave e eterno perfume. É assim que os Apóstolos, cuja tarefa o Cristo
abençoara com a sua misericórdia, espalham as claridades da Boa Nova
por toda a parte, repartindo o pão milagroso da fé com todos os famintos
do coração.
A doutrina do Crucificado propaga-se com a rapidez do relâmpago.
Fala-se dela, tanto em Roma como nas Gálias e no norte da África.
Surgem os advogados e os detratores. Os prosélitos mais eminentes
buscam doutrinar, disseminando as idéias e interpretações. As primeiras
igrejas surgem ao pé de cada Apóstolo, ou de cada discípulo mais
destacado e estudioso.
A centralização e a unidade do Império Romano facilitaram o
deslocamento dos novos missionários, que podiam levar a palavra de fé ao
mais obscuro recanto do globo, sem as exigências e os obstáculos das
fronteiras.
Doutrina alguma alcançara no mundo semelhante posição, em face
da preferência das massas. É que o Divino Mestre selara com exemplos as
palavras de suas lições imorredouras.
Maior revolucionário de todas as épocas, não empunhou outra arma
além daquelas que significam amor e tolerância, educação e aclaramento. Condenou todas as
hipocrisias, insurgiu-se contra todas as violências oficializadas, ensinando
simultaneamente aos discípulos o amor incondicional à ordem, ao trabalho
e à paz construtiva. É por essa razão que os Evangelhos constituem o livro
da Humanidade, por excelência. Sua simplicidade e singeleza
transparecem na tradução de todas as línguas da Terra, prendendo a alma
dos homens entre as luzes do Céu, ao encanto suave de suas narrativas

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