Estudos





A PALAVRA DIVINA
Não nos compete fornecer uma nova interpretação das palavras
eternas do Cristo, nos Evangelhos. Semelhante interpretação está feita por quase todas as escolas religiosas do mundo, competindo apenas às
suas comunidades e aos seus adeptos a observação do ensino imortal,
aplicando-a a si próprios, no mecanismo da vida de relação, de modo que
se verifique a renovação geral, na sublime exemplificação, porque, se a
manjedoura e a cruz constituem ensinamento inolvidável, muito mais
devem representar, para nós outros, os exemplos do Divino Mestre, no seu
trato com as vicissitudes da vida terrestre.
De suas lições inesquecíveis, decorrem conseqüências para todos
os departamentos da existência planetária, no sentido de se renovarem os
institutos sociais e políticos da Humanidade, com a transformação moral
dos homens dentro de uma nova era de justiça econômica e de concórdia
universal.
Pode parecer que as conquistas do verdadeiro Cristianismo sejam
ainda remotas, em face das doutrinas imperialistas da atualidade, mas é
preciso reconhecer que dois mil anos já dobaram sobre a palavra divina.
Dois mil anos em que os homens se estraçalharam em seu nome,
inventando bandeiras de separatividade e destruição. Incendiaram e
trucidaram, em nome dos seus ensinos de perdão e de amor, massacrando
esperanças em todos os corações. Contudo, o século que passa deve
assinalar uma transformação visceral nos departamentos da vida. A dor
completará as obras generosas da verdade cristã, porque os homens
repeliram o amor em suas cogitações de progresso.


CREPÚSCULO DE UMA CIVILIZAÇÃO
Uma nuvem de fumo vem-se formando, há muito tempo, nos
horizontes da Terra cheia de indústrias de morte e destruição. Todos os
países são convocados a conferirem os valores da maturação espiritual da
Humanidade, verificada no orbe há dois milênios. O progresso científico
dos povos e as suas mais nobres e generosas conquistas são reclamados
pelo banquete do morticínio e da ambição, e, enquanto a política do mundo
se sente manietada ante os dolorosos fenômenos do século, registram-se
nos espaços novas atividades de trabalho, porque a direção da Terra está
nas mãos misericordiosas e augustas do Cordeiro.


O EXEMPLO DO CRISTO
Sem nos referirmos, porém, aos problemas da política transitória do
mundo, lembremos, ainda, que a lição do Cristo ficou para sempre na
Terra, como o tesouro de todos os infortunados e de todos os desvalidos.
Sua palavra construiu a fé nas almas humanas, fazendo-lhes entrever os
seus gloriosos destinos. Haja necessidade e tornaremos a ver a crença e a
esperança reunindo-se em novas catacumbas romanas, para reerguerem o
sentido cristão da civilização da Humanidade.
É, muitas vezes, nos corações humildes e aflitos que vamos
encontrar a divina palavra cantando o hino maravilhoso dos bem aventurados.
E, para fechar este capítulo, lembrando a influência do Divino Mestre
em todos os corações sofredores da Terra, recordemos o episódio do
monge de Manilha, que, acusado de tramar a liberdade de sua pátria contra
o jugo dos espanhóis, é condenado à morte e conduzido ao cadafalso.
No instante do suplício, soluça desesperadamente o mísero
condenado - "Como, pois, será possível que eu morra assim inocente?
Onde está a justiça? Que fiz eu para merecer tão horrendo suplício?"
Mas um companheiro corre ao seu encontro e murmura-lhe aos
ouvidos: - "Jesus também era inocente!..."
Passa, então, pelos olhos da vítima, um clarão de misteriosa beleza.
Secam-se as lágrimas e a serenidade lhe volta ao semblante macerado, e,
quando o carrasco lhe pede perdão, antes de apertar o parafuso sinistro,
ei-lo que responde resignado: - "Meu filho, não só te perdôo como ainda te
peço cumpras o teu dever."
O Império Romano e seus desvios


OS DESVIOS ROMANOS
Reportando-nos ainda às conquistas romanas, antes da chegada do
Senhor para as primeiras florações do Cristianismo, devemos lembrar o
esforço despendido pelas entidades espirituais, junto das autoridades
organizadoras e conservadoras da República, no sentido de orientar-se a
atividade geral para um grande movimento de fraternidade e de união de
todos os povos do planeta.
Os pensadores que hoje sonham a criação dos Estados Unidos do
Mundo, sem os movimentos odiosos das guerras fratricidas, podem sondar os desígnios do
plano invisível naquela época. A Grécia havia perscrutado, na medida do
possível, todos os problemas transcendentes da vida. Nas suas lutas
expiatórias, transferira as suas experiências e conhecimentos para a
família romana, então apta para as grandes tarefas do Estado. À força de
educação e de amor, poderia esta última unificar as bandeiras do orbe,
criando um novo roteiro à evolução coletiva e estabelecendo as linhas
paralelas do progresso físico e moral da Humanidade terrestre. Todos os
esforços foram despendidos, nesse particular, pelos emissários do plano
invisível, e a prova desse grandioso projeto de trabalho unitário é que a
obra do Império Romano foi das mais primorosas, em matéria educativa,
com vistas à organização das nacionalidades modernas. O próprio instinto
democrático da Inglaterra e da França, bem como as suas elevadas obras
de socialização, ainda representam frutos da missão educativa do Império,
no seio da Humanidade.
O caminho dos romanos ficou juncado de sementes e de luzes para
o porvir
A realidade, contudo, é que, se os mensageiros do Cristo
conseguiram a realização de muitos planos generosos, no seio da
comunidade de então, não podiam interferir na liberdade isolada da grande
maioria dos seus membros.


OS ABUSOS DA AUTORIDADE E DO PODER
Em breve, os abusos da autoridade e do poder embriagavam a
cidade valorosa. 
Toda a sede do governo parecia invadida por uma avalancha de forças
perversoras, das mais baixas esferas dos planos invisíveis.
A família romana, cujo esplendor espiritual conseguiu atravessar
todas as eras, iluminando os agrupamentos da atualidade, parecia
atormentada pelos mais tenazes inimigos ocultos, que, aos poucos, lhe
minaram as bases mais sólidas, mergulhando-a na corrupção e no
extermínio de si mesma, dada a ausência de vigilância de suas sentinelas
mais avançadas. Denso nevoeiro obscurecia todas as consciências, e a
sociedade alegre e honesta, rica de sentimentos enobrecedores, foi pasto
de crimes humilhantes, de tragédias lúgubres e miserandos assassínios.
As classes abastadas aproveitavam a pletora de poder instalando-se no
carro da opressão, que deixava atrás de si um rastro fumegante de revolta
e de sangue. Os Gracos, filhos da veneranda Cornélia, são quase que os
derradeiros traços de uma época caracterizada pela administração
enérgica, mas equânime, cheia de honestidade, de sabedoria e de justiça.


OS CHEFES DE ROMA
Depois de Caio, assassinado no Aventino, embora se fizesse supor
um suicídio, instala-se definitivamente um regime de quase completa
dissolução das grandes conquistas morais realizadas.
Sobe Mário ao poder, depois das vitórias contra Jugurta e contra os
germanos, que haviam, por sua vez, invadido o território das
Gálias. Mas os antagonismos sociais levam Sua ao poder, travando-se
lutas cruentas, como vésperas escuras de sangrentas derrocadas Em
seguida, surgem Pompeu e a revolução de Catilina, muito conseguindo a
prudência de Cícero em favor da segurança da cidade Verifica-se, logo
após, o primeiro triunvirato com a política maneirosa de Caio Júlio César,
que se alia a Pompeu e a Crasso para as supremas obrigações do governo.
As citações históricas, todavia, desviariam os objetivos do nosso
esforço. Nossa intenção é mostrar que o determinismo do mundo
espiritual era o do amor, da solidariedade e do bem, mas os próprios
homens, na esfera relativa de suas liberdades, modificaram esse
determinismo superior, no curso incessante da civilização.
Os generais romanos podiam conquistar a ferro e fogo, desviandose
dos objetivos mais sagrados dos seus deveres e obrigações, levando
aos outros povos, pela força das armas, os liames que somente deveriam
utilizar com a sua cultura e experiência da vida; mas seus atos originaram
os mais amargos frutos de provação e sofrimento para a Humanidade
terrestre, e é por isso que, em sua quase totalidade, entraram no plano
espiritual seguidos de perto pelas suas numerosas vítimas, entre as vozes
desesperadas das mais acerbas acusações. Muitos deles, decorridos
decênios infindáveis de martírios expiatórios, podiam ser vistos sem as
suas armaduras elegantes, arrastando-se como vermes ao longo das
margens do Tibre, ou estendendo as mãos asquerosas, como mendigos
detestados do Esquilino.

0 comentários:

Postar um comentário

Labels

Aurora Boreal/Grupo C.E. Tecnologia do Blogger.

Mapa

Free Visitor Maps at VisitorMap.org