Estudos



INFLUÊNCIAS DECISIVAS
Desnecessária será a autópsia da História nos seus pontos mais
divulgados e conhecidos, quando o nosso único propósito é esclarecer o
entendimento do leitor, quanto à direção do planeta, que se conserva, de
fato, no mundo espiritual, de onde o Cristo vela incessantemente pelo orbe
e pelos seus destinos. Todavia, para fundamentar nossa asserção acerca
das influências etruscas nos primórdios de Roma, somos levados a
recordar a figura de Tarquínio Prisco, filho da Etrúria, que trouxe à cidade
grandes reformas e inúmeras inovações em todos os departamentos da
sua consolidação e do seu progresso, lembrando, entre as suas muitas
renovações, a construção da Cloaca Máxima e do Capitólio. Seu sucessor,
Sérvio Túlio, era igualmente da sua família. Este, dividiu todo o povo da
cidade em classes e centúrias, segundo as possibilidades financeiras de
cada um,
desgostando os patrícios, a esse tempo já organizados, em virtude de essa
reforma apresentar-se dentro de características liberais, não obstante as
suas finalidades militares.
Onde, porém, mais se evidenciam as influências etruscas, nas
organizações romanas, é justamente na alma popular, devotada aos
gênios, aos deuses e às superstições de toda espécie, que seriam
multiplicadas em seus contactos com a Grécia. Cada família, como cada
lar, possuía o seu gênio invisível e amigo, e, na sociedade, alastravam-se
as comunidades religiosas, culminando no Colégio dos Pontífices, cuja
fundação remonta ao passado longínquo da cidade. Esse Colégio foi
depois substituído pelo Pontífice Máximo, chefe supremo das correntes
religiosas, do qual os bispos romanos iam extrair, mais tarde, o Vaticano e
o Papado dos tempos modernos.
Os romanos, ao contrário dos atenienses, não procuravam muitas
indagações transcendentes em matéria religiosa ou filosófica, atendendo
somente aos problemas do culto externo, sem muitas argumentações com
a lógica, e foi por isso que, com a evolução da cidade, o Panteão, seu
templo mais aristocrático, chegou a possuir mais de trinta mil deuses.


OS PATRÍCIOS E OS PLEBEUS
Depois dos últimos Tarquínios, que procuraram intensificar os
poderes militares da realeza, proclama-se a República, que fica governada
por dois magistrados patrícios, assistidos pelo Senado. Grandes medidas
são executadas para consolidar a supremacia romana, mas as classes pobres,
oprimidas pelas mais ricas, que gozavam de todos os direitos, revoltaramse
em face da penosa situação em que as colocavam as possibilidades da
ditadura preconizada pelos senadores, em casos especiais com poderes
soberanos e amplos em todas as questões da vida e morte de cada um.
Inspirados pelas forças espirituais que os assistiam, os plebeus em
massa abandonaram a cidade, retirando-se para o Monte Sagrado, mas os
patrícios, examinando a gravidade daquela atitude extrema, lhes enviam
Menênio Agripa, cuja palavra se desincumbe com felicidade da diligência
que lhe fora cometida, contando aos rebeldes o apólogo dos membros e
do estômago, que constituem, no mecanismo de sua harmonia, o perfeito
organismo de um corpo. A plebe concorda em regressar à cidade, embora
impondo condições quase que irrestritamente aceitas. Os tribunos da
plebe inauguram, então, um período de belas conquistas dos direitos
humanos, culminando na Lei Canuleia, que permitia o casamento entre
patrícios e plebeus e com a Lei Ogúlnia, que conferia a estes últimos as
próprias funções sacerdotais.

A FAMÍLIA ROMANA
Muito poderíamos comentar, à margem da História, mas outros são
os nossos fins, considerando-nos no dever de salientar aqui as sagradas
virtudes romanas, na instituição do colégio da família, em muitas
circunstâncias superior ao da própria Grécia cheia de sabedoria e beleza.
A família romana, em suas tradições gloriosas, está constituída no
mais sublime respeito às virtudes heróicas da mulher e na perfeita
compreensão dos deveres do homem, ante os seus sucessores e os seus
antepassados.
Lembrando-nos de Roma no seu áureo período de trabalho, enchese-
nos ó olhar de lágrimas amargas... Que gênio maldito imiscuiu-se nessa
organização sublimada em seus mais íntimos fundamentos, devorando-lhe
as esperanças mais nobres, corrompendo-lhe os sentimentos, relaxandolhe
as energias? Que força devastadora derrubou todas as suas estátuas
gloriosas de virtude? Debalde, a mão misericordiosa de Jesus desceu
sobre a sua fronte, levantando-a de quedas tenebrosas, antes dos tristes
espetáculos do seu arrasamento. Os abusos de poder e de liberdade dos
seus habitantes fizeram do ninho do amor e do trabalho um amontoado de
rumarias, afundando-o num mar de lodo sanguinolento.

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