Estudos


Necessário e Supérfluo

Todos têm que concorrer para o cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver (...)", já que a vida é essencial ao aperfeiçoamento dos seres.
Ao lado da necessidade de viver, Deus deu, também, ao homem os meios para suprir esta necessidade. "(...) Essa a razão por que faz que a Terra produza de modo a proporcionar o necessário aos que a habitam, visto que só o necessário é útil. O supérfluo nunca o é."
No entanto, em suas experiências evolutivas, os homens passam, muitas vezes, por privações e situações difíceis, nas quais lhes falta até mesmo o essencial à sobrevivência. Devemos considerar que tal situação extrema geralmente ocorre por imprevidência do homem. "(...) A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ele emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário. Olha o árabe no deserto. Acha sempre de que viver, porque não cria para si necessidades fictícias. Desde que haja desperdiçado a metade dos produtos em satisfazer fantasias, que motivos tem o homem para se espantar de nada encontrar no dia seguinte e para se queixar de estar desprovido de tudo, quando chegam os dias de penúria? Em verdade vos digo, imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não sabe regrar o seu viver."
"(...) Se é certo que a civilização multiplica as necessidades, também o é que multiplica as fontes de trabalho e os meios de viver. (...) A desgraça, para muitos, provém de enveredarem por uma senda diversa da que a Natureza lhes traça. É então que lhes falece a inteligência para o bom êxito. Para todos há lugar ao sol, mas com a condição de que cada um ocupe o seu e não o dos outros. A Natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio. (...)"
Vários são os meios empregados pelo homem para preservar ou ampliar o seu bem-estar social. Mesmo que para muitos pareça que não tem havido progresso, o certo é que a Humanidade tem evoluído. "(...) Graças aos louváveis esforços que, juntas, a Filantropia e a Ciência não cessam de despender para melhorar a condição material dos homens e mau grado ao crescimento incessante das populações, a insuficiência da produção se acha atenuada, pelo menos em grande parte, e os anos mais calamitosos do presente não se podem de modo algum comparar aos de outrora. A higiene pública, elemento tão essencial da força e da saúde, a higiene pública, que nossos pais não conheceram, é objeto de esclarecida solicitude. (...) Por toda a parte a Ciência contribui para acrescer o bem-estar. (...)"
"(...) Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A civilização criou necessidades que o selvagem desconhece (...). Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas. A civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio. (...)"
O gosto pelo supérfluo é, assim, prejudicial ao homem. Os desregramentos que provoca fazem com que a natureza animal tenha preponderância sobre a natureza espiritual. Nessas condições, o atrativo dos bens materiais também funciona como prova para o espírito que vivencia as oportunidades do mundo físico. Para bem conduzir-se na esfera carnal, o homem deve conhecer o limite entre o necessário e o supérfluo. Algumas pessoas ainda requerem seguidas experiências e grande esforço para adquirir esse conhecimento. Outras o têm por intuição das conquistas efetivadas em vidas pregressas.
Deve ser esclarecido, a esse respeito, que o limite do necessário não é exato e absoluto, pois, em realidade, é relativo às condições de vida proporcionadas pelos avanços da Civilização, que criam novas necessidades. Pode-se dizer, contudo, que são essenciais aos homens todos os bens de relevância para sua sobrevivência, para que desfrutem de relativo conforto e possam participar da vivência social. São supérfluos todos os bens que servem a outras finalidades, tais como o luxo e a satisfação do orgulho, assim como os que acumulados, improdutivos, nas mãos de poucos, fazem falta a muitos.
Cabe, portanto, ao indivíduo, às instituições e aos Governos desenvolver esforços no sentido de estender a todos, sem exceção, os benefícios decorrentes da melhoria do padrão de vida humano, originados dos progressos da Civilização, de modo a atenuar as desigualdades sociais.
Para garantir o cumprimento dessa tarefa, assegurando o bem-estar a todos os homens, são necessários investimentos nos setores da saúde, alimentação, habitação, acesso aos meios de comunicação e, em especial, educação compreendida em seu sentido mais amplo de formação intelectual, social, moral e espiritual do ser. As conquistas da ciência e do conhecimento humano, como um todo, possibilitarão à Humanidade ampliar o bem-estar social.

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