Estudos




A GRÉCIA
Ao influxo do coração misericordioso do Cristo, toda a Grécia se
povoa de artistas e pensadores eminentes, no quadro das filosofias e das
ciências. É lá que vamos encontrar as escolas Itálica e Eleática, à frente do
fervoroso idealismo de Pitágoras e Xenófanes, sem esquecermos,
igualmente, as escolas Jônica e Ato
mística com Tales e Demócrito, nas expressões do mais avançado
materialismo.
O século de Péricles, chegando a um apogeu de beleza e de cultura
com os elevados princípios recebidos da civilização egípcia, espalha os
mais soberbos clarões espirituais nos horizontes da Terra. Poucas fases
da evolução européia se aproximaram desse século maravilhoso.
O Salvador contempla, das Alturas, essa época de elevadas
conquistas morais, cheio de amor e de esperança. O planeta terrestre
aproximava-se da sua maioridade espiritual quando, então, poderia Ele
nutrir o coração humano com a sementeira bendita da sua palavra. Envia,
então, às sociedades do globo o esforço de auxiliares valorosos, nas
figuras de Ésquilo, Eurípedes, Heródoto e Tucídides, e por fim a
extraordinária personalidade de Sócrates, no intuito de realizar o
coroamento do esforço decidido de tantos mensageiros.

SÓCRATES
É por isso que, de todas as grandes figuras daqueles tempos
longínquos, somos compelidos a destacar a grandiosa figura de Sócrates,
na Atenas antiga.
Superior a Anaxágoras, seu mestre, como também imperfeitamente
interpretado pelos seus três discípulos mais famosos, o grande filósofo
está aureolado pelas mais divinas claridades espirituais, no curso de todos
os séculos planetários. Sua existência, em algumas circunstâncias,
aproxima-se da exemplificação
do próprio Cristo. Sua palavra confunde todos os espíritos mesquinhos da
época e faz desabrochar florações novas de sentimento e cultura na alma
sedenta da mocidade. Nas praças públicas, ensina à infância e à juventude
o formoso ideal da fraternidade e da prática do bem, lançando as sementes
generosas da solidariedade dos pósteros.
Mas Atenas, como cérebro do mundo de então, apesar do seu vasto
progresso, não consegue suportar a lição avançada do grande mensageiro
de Jesus.
Sócrates é acusado de perverter os jovens atenienses, instilandolhes
o veneno da liberdade nos corações.
Preso e humilhado, seu espírito generoso não se acovarda diante
das provas rudes que lhe extravasam do cálice de amarguras. Consciente
da missão que trazia, recusa fugir do próprio cárcere, cujas portas se lhe
abrem às ocultas pela generosidade de alguns juízes.
Os enviados do plano invisível cercam-lhe o coração magnânimo e
esclarecido, nas horas mais ásperas e agudas da provação; e quando a
esposa, Xantipa, assoma às grades da prisão para comunicar-lhe a
nefanda condenação à morte pela cicuta, ei-la exclamando no auge da
angústia e desesperação:
- "Sócrates, Sócrates, os juizes te condenaram à morte..."
- "Que tem isso? - responde resignadamente o filósofo - eles
também estão condenados pela Natureza."
- "Mas essa condenação é injusta..." - soluça ainda a desolada
esposa.
E ele a esclarece com um olhar de paciência e de carinho:
- "E quererias que ela fosse justa?"
Senhor do seu valoroso e resignado heroísmo, Sócrates abandona a
Terra, alçando-se de novo aos páramos constelados, onde o aguardava a
bênção de Jesus.

OS DISCÍPULOS
O grande filosofo que ensinara à Grécia as mais belas virtudes,
como precursor dos princípios cristãos, deixou vários discípulos, dos
quais se destacaram Antístenes, Xenofonte e Platão. Falaremos, apenas,
deste último, para esclarecer que nenhum deles soube assimilar
perfeitamente a estrutura moral do mestre inesquecível. A História louva os
discursos de Platão, mas nem sempre compreendeu que ele misturou a
filosofia pura do mestre com a ganga das paixões terrestres, enveredando
algumas vezes por complicados caminhos políticos. Não soube, como
também muitos dos seus companheiros, conservar-se ao nível de alta
superioridade espiritual, chegando mesmo a justificar o direito tirânico dos
senhores sobre os escravos, sem uma visão ampla da fraternidade
humana e da família universal.
Contudo, não deixou de cultivar alguns dos princípios cristãos
legados pelo grande mentor, antecipando-se ao apostolado do Evangelho,
antes de entregar a sua tarefa doutrinária a Aristóteles, que ia também
trabalhar pelo advento do Cristianismo.


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