Estudos



A Grécia e a missão de Sócrates

NAS VÉSPERAS DA MAIORIDADE
TERRESTRE
Examinando a maioridade espiritual das criaturas humanas, envioulhes
o Cristo, antes de sua vinda ao mundo, numerosa coorte de Espíritos
sábios e benevolentes, aptos a consolidar, de modo definitivo, essa
maturação do pensamento terrestre.
As cidades populosas do globo enchem-se, então, de homens cultos
e generosos, de filósofos e de artistas, que renovam, para melhor, todas as
tendências da Humanidade.
Grandes mestres do cérebro e do coração formam escolas
numerosas na Grécia, que assumia a direção intelectual do orbe inteiro. A maioria desses pensadores, que
eram os enviados do Cristo às coletividades terrestres, trazem, do círculo
retraído e isolado dos templos, os ensinamentos dos grandes iniciados
para as praças públicas, pregando a verdade às multidões.
Assim como a organização do homem físico exigira as mais amplas
experiências da natureza, antes de se fixarem os seus caracteres
biológicos definitivos, a lição de Jesus, que representa o roteiro seguro
para a edificação do homem espiritual, deveria ser precedida pelas
experiências mais vastas no campo social.
É por essa razão que observamos, nos cinco séculos anteriores à
vinda do Cordeiro, uma aglomeração de inúmeras escolas políticas,
religiosas e filosóficas dos mais diversos matizes, em todos os ambientes
do mundo.

ATENAS E ESPARTA
Muitas teorias científicas, que provocam o sensacionalismo dos
vossos dias como inovações ultramodernas, foram conhecidas da Grécia,
em cujos mestres têm os seus legítimos fundamentos.
Em matéria de doutrinas sociais, grandes ensaios foram realizados,
divulgando-se a mais farta colheita de ensinamentos; e quando meditamos
no conflito moderno entre os Estados totalitários, fascistas ou comunistas
e as repúblicas democráticas, devemos volver os olhos ao passado,
revendo Atenas e Esparta como dois símbolos políticos que nos fazem
pensar na plena atualidade da Grécia antiga.
Os espartanos, sob o regime atribuído a Licurgo, nome que constitui
apenas uma representação simbólica dos generais da época, vivendo a
existência absoluta do Estado, não expressaram a mesma fisionomia da
Alemanha e da Rússia atuais? A legislação de Esparta proibia o comércio,
condenava a cultura; cerceando o gosto pessoal em face das bagatelas
encantadoras da vida e do sentimento, decretou medidas de insulamento,
maltratando os estrangeiros; instituiu a uniformidade dos vestuários,
incumbiu-se da educação das crianças através dos órgãos do Estado, mas
não cultivava a parte intelectual, abalando todo o edifício sagrado da
família e criando, muitas vezes, o regime do roubo e da delação, em
detrimento das mais nobres finalidades da vida.
Por essa razão, Esparta passou à história como um simples povo de
soldados espalhando a destruição e os flagelos da guerra, sem nenhuma
significação construtiva para a Humanidade.
Atenas, ao contrário, é o berço da verdadeira democracia. Povo que
amou profunda-mente a liberdade, sua dedicação à cultura e às artes
iniciou as outras nações no culto da vida, da criação e da beleza. Seus
legisladores, que, como Sólon, eram filósofos e poetas, reformaram todos
os sistemas sociais conhecidos até então, protegendo as classes pobres e
desvalidas, estabelecendo uma linha harmônica entre todos os
departamentos da sociedade, acolhendo os estrangeiros, protegendo o
trabalho, fomentando o comércio, as indústrias, a agricultura.
Lá começou o verdadeiro regime de consulta à vontade do povo, que
decidia, em assembléias numerosas, todos os problemas da cidade
venerável. E é fácil reconhecer aí o início das democracias modernas, que
agora se organizam, nas transições do século XX, para a repressão de
todas as doutrinas nefastas da força e da violência.

EXPERIÊNCIAS NECESSÁRIAS
Semelhantes experiências, no campo sociológico, foram
incentivadas e acompanhadas de perto pelos prepostos de Jesus,
respeitadas as grandes leis da liberdade individual e coletiva.
O mundo precisava conhecer a boa e a má semente, nas grandes
transformações da sua existência. A exemplificação do Cristo necessitava
de elevada compreensão no seio da cultura e da experiência de todos os
séculos transcorridos e, sem embargo das lutas renovadoras que a
antecederam no orbe, há dois milênios que o Evangelho do Mestre espera
a floração do perfeito entendimento dos homens.

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