Estudos





A GÊNESE DAS CRENÇAS RELIGIOSAS
A gênese de todas as religiões da Humanidade tem suas origens no
seu coração augusto e misericordioso. Não queremos, com as nossas
exposições, divinizar, dogmaticamente, a figura luminosa do Cristo, e sim
esclarecer a sua gloriosa ascendência na direção do orbe terrestre,
considerada a circunstância de que cada mundo, como cada família, tem
seu chefe supremo, ante a justiça e a sabedoria do Criador.
Fôra erro crasso julgar como bárbaros e pagãos os povos terrestres
que ainda não conhecem diretamente as lições sublimes do seu Evangelho
de redenção, porquanto a sua desvelada assistência acompanhou, como
acompanha a todo tempo, a evolução das criaturas em todas as latitudes
do orbe. A história da China, da Pérsia, do Egito, da Índia, dos árabes, dos
israelitas, dos celtas, dos gregos e dos romanos está alumiada pela luz
dos seus poderosos emissários. E muitos deles tão bem se
houveram, no cumprimento dos seus grandes e abençoados deveres, que
foram havidos como sendo Ele próprio, em reencarnações sucessivas e
periódicas do seu divinizado amor. No Manava-Darma, encontramos a lição
do Cristo; na China encontramos Fo-Hi, Lao-Tsé, Confúcio; nas crenças do
Tibete, está a personalidade de Buda e no Pentateuco encontramos
Moisés; no Alcorão vemos Maomet. Cada raça recebeu os seus
instrutores, como se fosse Ele mesmo, chegando das resplandecências de
sua glória divina.
Todas elas, conhecendo intuitivamente a palavra das profecias,
arquivaram a história dos seus enviados, nos moldes de sua vinda futura,
em virtude das lembranças latentes que guardavam no coração, acerca da
sua palavra nos espaços, tocada de esclarecimento e de amor.

A UNIDADE SUBSTANCIAL DAS RELIGIÕES
A verdade é que todos os livros e tradições religiosas da antigüidade
guardam, entre si, a mais estreita unidade substancial. As revelações
evolucionam numa esfera gradativa de conhecimento. Todas se referem ao
Deus impersonificável, que é a essência da vida de todo o Universo, e no
tradicionalismo de todas palpita a visão sublimada do Cristo, esperado em
todos os pontos do globo.
Os vários povos do mundo traziam de longe as suas concepções e
as suas esperanças, sem falarmos das grandes coletividades que
floresciam na América do Sul, então quase ligada à
China pelas extensões da Lemúria, e da América do Norte, que se ligava à
Atlântida. Não é, porém, nosso propósito estudar aqui outras questões que
se não refiram à superioridade do Cristo e à ascendência do seu
Evangelho, nestes apontamentos despretensiosos. Citando, porém, todos
os povos antigos do planeta, somos compelidos a recordar, igualmente, as
grandes civilizações pré-históricas, que desabrocharam e desapareceram
no continente americano, de cujos cataclismos e arrasamentos ficaram
ainda as expressões interessantes dos incas e dos astecas, que, como
todos os outros agrupamentos do mundo, receberam a palavra indireta do
Senhor, na sua marcha coletiva através de augustos caminhos.

AS REVELAÇÕES GRADATIVAS
Até à palavra simples e pura do Cristo, a Humanidade terrestre viveu
etapas gradativas de conhecimento e de possibilidades, na senda das
revelações espirituais.
Os milênios, com as suas experiências consecutivas e dolorosas,
prepararam os caminhos dAquele que vinha, não somente com a sua
palavra, mas, principalmente, com a sua exemplificação salvadora. Cada
emissário trouxe uma das modalidades da grande lição de que foi teatro a
região humilde da Galiléia.
É por esse motivo que numerosas coletividades asiáticas não
conhecem a lição direta do Mestre, mas sabem do conteúdo da sua
palavra, em virtude das próprias revelações do seu
ambiente, e, se a Boa Nova não se dilatou no curso dos tempos, pelas
estradas dos povos, e que os pretensos missionários do Cristo, nos
séculos posteriores aos seus ensinos, não souberam cultivar a flor da vida
e da verdade, do amor e da esperança, que os seus exemplos haviam
implantado no mundo: abafando-a nos templos de uma falsa
religiosidade, ou encarcerando-a no silêncio dos claustros, a planta
maravilhosa do Evangelho foi sacrificada no seu desenvolvimento e
contrariada nos seus mais lídimos objetivos.

PREPARAÇÃO DO CRISTIANISMO
As lições da Palestina foram, desse modo, precedidas de laboriosa e
longa preparação na intimidade dos milênios
Os sacerdotes de todas as grandes religiões do passado
supuseram, nos seus mestres e nos seus mais altos iniciados, a
personalidade do Senhor, mas temos de convir que Jesus foi
inconfundível.
À luz significativa da história, observamos muitas vezes, nos seus
auxiliares ou instrumentos humanos, as características das vulgaridades
terrestres. Alguns foram ditadores de consciências, enérgicos e ferozes no
sentido de manter e fomentar a fé; outros, traídos em suas forças e
desprezando os compromissos sagrados com o Salvador, longe de serem
instrumentos do Divino Mestre, abusaram da própria liberdade, dando
ouvidos às forças subversivas da Treva, prejudicando a harmonia geral.

O CRISTO INCONFUNDÍVEL
Mas Jesus assinala a sua passagem pela Terra com o selo constante
da mais augusta caridade e do mais abnegado amor. Suas parábolas e
advertências estão impregnadas do perfume das verdades eternas e
gloriosas. A manjedoura e o calvário são lições maravilhosas, cujas
claridades iluminam os caminhos milenários da humanidade inteira, e
sobretudo os seus exemplos e atos constituem um roteiro de todas as
grandiosas finalidades, no aperfeiçoamento da vida terrestre. Com esses
elementos, fez uma revolução espiritual que permanece no globo há dois
milênios. Respeitando as leis do mundo, aludindo à efígie de César,
ensinou as criaturas humanas a se elevarem para Deus, na dilatada
compreensão das mais santas verdades da vida. Remodelou todos os
conceitos da vida social, exemplificando a mais pura fraternidade.
Cumprindo a Lei Antiga, encheu-lhe o organismo de tolerância, de piedade
e de amor, com as suas lições na praça pública, em frente das criaturas
desregradas e infelizes, e somente Ele ensinou o "Amai-vos uns aos
outros", vivendo a situação de quem sabia cumpri-lo.
Os Espíritos incapacitados de o compreender podem alegar que as
suas fórmulas verbais eram antigas e conhecidas; mas ninguém poderá
contestar que a sua exemplificação foi única, até agora, na face da Terra.
A maioria dos missionários religiosos da antigüidade se compunha
de príncipes, de sábios ou de grandes iniciados, que saíam da intimidade
confortável dos palácios e dos templos;
mas o Senhor da semeadura e da seara era a personificação de toda a
sabedoria, de todo o amor, e o seu único palácio era a tenda humilde de
um carpinteiro, onde fazia questão de ensinar à posteridade que a
verdadeira aristocracia deve ser a do trabalho, lançando a fórmula
sagrada, definida pelo pensamento moderno, como o coletivismo das
mãos, aliado ao individualismo dos corações síntese social para a qual
caminham as coletividades dos tempos que passam - e que, desprezando
todas as convenções e honrarias terrestres, preferiu não possuir pedra
onde repousasse o pensamento dolorido, a fim de que aprendessem os
seus irmãos a lição inesquecível do "Caminho, da Verdade e da Vida".

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