O Clarim


Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados.
O princípio oposto, sim, os destrói.
No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações.
Ditosos por se encontrarem juntos, esses Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação apenas momentaneamente os separa, porquanto, ao regressarem à erraticidade novamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem.
Muitas vezes, até, uns seguem a outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento. (Ev. IV 16)1
A algumas pessoas a Doutrina da reencarnação se afigura destruidora dos laços de família, com o fazê-los anteriores à existência atual.
– Ela os distende; não os destrói.
Fundando-se o parentesco em afeições anteriores, menos precários são os laços existentes entre os membros de uma mesma família.
Essa doutrina amplia os deveres da fraternidade, porquanto, no vosso vizinho, ou no vosso servo, pois achar-se um Espírito a quem tenhais estado presos pelos laços da consanguinidade. (L.E. 205)2
Que é o que dá origem ao caráter distintivo que se nota em cada povo?
– Também os Espíritos se grupam em famílias, formando-as pela analogia de seus pendores mais ou menos puros, conforme a elevação que tenham alcançado.
Pois bem! Um povo é uma grande família formada pela reunião de Espíritos simpáticos.
Na tendência que apresentam os membros dessas famílias, para se unirem, é que está a origem da semelhança que, existindo entre os indivíduos, constitui o caráter distintivo de cada povo. (L.E. 215)2
A paternidade é uma verdadeira missão.
É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. 
Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. (L.E. 582)2
Quanto piores forem as propensões do filho, tanto mais pesada é a tarefa e tanto maior o mérito dos pais, se conseguirem desviá-lo de mau caminho. (L.E. 583)2
A origem das raças se perde na noite dos tempos.
Mas, como pertencem todas à grande família humana, qualquer que tenha sido o tronco de cada uma, elas puderam aliar-se entre si e produzir tipos novos. (L.E. 690)2
Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir.
Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. (L.E. 774)2
O relaxamento dos laços de família é resultado da recrudescência do egoísmo. (L.E. 775)2
A desigualdade das condições sociais desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. 
Restará apenas a desigualdade do merecimento.
Dia virá em que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. (L.E. 806)2
E a família, que será dela?
Estamos quites com ela desde que socorremos o que se chama os pobres?
Não, evidentemente, senhores; porque, do momento em que reconheceis a necessidade de vos despojar pelos pobres, trata-se de fazer uma escolha e estabelecer uma hierarquia. 
Ora, vossas mulheres e vossos filhos são os vossos primeiros pobres; a eles deveis, pois, dar as vossas primeiras esmolas.
Velais pelo futuro de vossos filhos; preocupai-vos em lhes preparar dias calmos e tranquilos em meio a esse vale de lágrimas; deixai-lhes até em depósito uma pequena herança, que lhes permite continuarem o bem que haveis começado: isto é legítimo.
Mas, não lhes ensineis jamais a viver egoisticamente e a olhar como deles tudo o que é de todos.
Antes e depois deles, os autores de vossos dias, os que vos alimentaram e guardaram, os que protegeram vossos primeiros passos e guiaram vossa adolescência, vosso pai e vossa mãe, têm direito à vossa solicitude.
Depois vêm as almas que Deus vos deu em vossos irmãos segundo a carne; depois os amigos de coração; depois todos os pobres, a começar pelos mais miseráveis. (R.E. 1865)3

1. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
2. ____. O Livro dos Espíritos.
3. ____. Revista Espírita.

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