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Criativo e cheio de talento, Jards Macalé é a cara do Brasil

Extrovertido, criativo e com talento de sobra, o músico carioca Jards Macalé é a cara do Brasil

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Nascido em 3 de março de 1943, Jards Macalé comemora 70 anos este ano. Extrovertido, criativo e com talento de sobra, o músico carioca é a cara do Brasil. Uma cena flagrada em seu mais recente show, feito no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, define o alcance desse artista. Jards pediu ao público que deixasse a plateia cantando "Juízo Final", de Nelson Cavaquinho. O vídeo é de arrepiar: mostra um encontro de gerações que, juntas, têm uma coisa em comum: foram cativadas por Jards Macalé.
Desde a infância, Jards Macalé conviveu no meio artístico: a mãe, dona Lígia, tocava piano; o pai, o acordeão. Jards e o irmão Roberto desde cedo soltavam a voz em saraus organizados na casa onde nasceram. Seu primeiro emprego foi como copista do maestro Severino Araújo. Nos anos 60, Jards conheceu os baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia, com quem logo criou laços afetivos. Ao lado deles, o carioca participou dos nostálgicos Festivais da MPB e acompanhou de pertinho o movimento da Tropicália, que deixou profundas marcas na cultura brasileira. Um ícone de sua carreira é a música "Gotham City", recém-regravada pela banda Camisa de Vênus. No IV Festival Internacional da Canção, em 1969, Jards Macalé foi bombardeado de vaias por ousar tocar um rock em uma época em que reinavam os ritmos tropicalistas.
Mais tarde, no período da ditadura militar, Jards sofreu com a censura de discos e chegou a ir até Londres para consolar os amigos Caetano e Gil, que estavam exilados. Como muitos artistas brasileiros influentes, Jards gostava de provocar os agentes da ditadura, que pegavam no pé de quem tentava mostrar a voz. Quem viveu na época lembra que, em 1974, no auge da repressão das liberdades no país, Jards Macalé alugou uma barca para fazer um show e, quando acabou de tocar, fez o que ninguém esperava: se jogou no mar. O fim da festa todo mundo pode imaginar: foi uma gostosa bagunça!
Sociável e bem articulado, Jards Macalé transitou por muitas áreas durante a carreira, firmando parcerias bastante diversificadas. Na cena musical, são incontáveis trabalhos. Gal Costa, Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal, Paulinho da Viola, Zeca Baleiro e Luiz Melodia são apenas mais alguns dos nomes que cruzaram o caminho do músico. No cinema, compôs trilhas sonoras para Glauber Rocha, entre outros diretores. Musicou poemas de Jorge Amado, Mario de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e Gregório de Matos. Foi por influência desses mestres, inclusive, que Jards aperfeiçoou sua veia poética. O artista não parou por aí: aventurou-se também no ramo das artes plásticas, produzindo a trilha de exposições de Lygia Clark, Hélio Oiticica, Xico Chaves e outros.
Devido a esse amplo leque de parcerias, muitas músicas de Jards Macalé ficaram marcadas na voz de outros artistas. Poucos sabem, por exemplo, que o sucesso "Vapor Barato", gravado por Gal Costa e, mais recentemente, pela banda O Rappa, é de autoria dele. A única parceria desastrosa de Jards Macalé aconteceu fora dos estúdios, palcos e saraus. Apesar de adorar futebol, o músico nunca se deu bem com as chuteiras. Foi por causa da fama de péssimo jogador que, na adolescência, ele ganhou o apelido de Macalé. Era esse o nome do pior jogador do time do Botafogo (RJ). Mais brasileirinho, impossível!

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