Noticias do meio


Minha terra tem coqueiros

Como a frutífera de origem controversa tornou-se a cara de um Brasil que cresce economicamente e não perde suas raízes culturais


No momento em que a identidade e a cultura brasileira vêm ganhando notoriedade, nada mais importante que ressaltar um dos elementos climático e paisagístico que mais representa e vem representando iconicamente a tropicalidade brasileira: o coqueiro e seu tão apreciado fruto.
Apesar de sua questionada origem disputada entre Nova Zelândia, sudeste asiático e nordeste da América do Sul, a versão que mais ganha aceitação é a que o nosso refrescante coco de cada dia é de origem asiática e teve suas primeiras mudas trazidas para o Brasil pelos portugueses por volta de 1553. O coqueiro, membro da mesma família das palmeiras, substituiria muito a altura essa última na conhecidíssima "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias, não sendo comprometida nem a rima e nem o sentido de brasilidade contidos nos versos "Minha terra tem palmeiras (...)".
Sabendo ou não sua origem, o coqueiro se incorporou e traduz a cultura brasileira de forma rica e completa de Norte a Sul de um país de dimensões continentais. Na culinária (cocada, moquecas e tantas outras delícias); No artesanato com palha e a casca do fruto do coqueiro; além da economia e empregos diretos e indiretos advindos do cultivo e plantação, que fazem com que o Brasil seja o 5º maior produtor mundial do fruto.
Segundo estudo de 2011, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), a Bahia é o maior produtor do Brasil de cocos. Disso e da forte influência africana nesse estado, entendemos os motivos do fruto do coqueiro habitar a famosa culinária contida no tão brasileiro tabuleiro da baiana. Certamente ao redor do fruto do coqueiro foi criada uma diversidade culinária que harmonicamente reúne influências africana, indígena e européia, assim como é em todo e qualquer elemento da identidade brasileira.
As tardes de Itapuã de Vinicius de Morais; os contos de Jorge Amado, José de Alencar e tantos outros escritores que exaltaram a brasilidade certamente não traduziriam tão ricamente o verde de nossa flâmula se em algum momento dessas obras não fossem idealizados cenários brindados com o balançar dos coqueiros. O ufanismo tropical brasileiro exaltado por canções, contos e poesias sempre incluiu o coqueiro como um elemento descritivo e, em tempos de crescimento econômico e de grandes eventos esportivos, a figura da mais brasileira das frutíferas sempre está presente em cartazes que divulgam eventos ocorridos pelo país.
Os coqueiros de Itapuã, traduzidos em melodia criada por Dorival Caymmi e cantada por Caetano Veloso, revelam uma mínima amostra da extensão territorial que planta e fruto alcançaram em terras brasileiras. Apesar da origem incerta, o coqueiro exalta e contribui da melhor forma possível para a construção da identidade de um pais que cresce e desenvolve-se, mas não abandona suas raízes históricas e naturais.

0 comentários:

Postar um comentário

Labels

Aurora Boreal/Grupo C.E. Tecnologia do Blogger.

Mapa

Free Visitor Maps at VisitorMap.org