Estudos




AS CASTAS
O povo hindu, não obstante o seu elevado grau de desenvolvimento
nas ciências do Espírito, não aproveitou de modo geral, como devia, o seu
acervo de experiências sagradas.
Seus condutores conheciam as elevadas finalidades da vida.
Lembravam-se vagamente das promessas do Senhor, anteriores à sua
reencarnação para os trabalhos do penoso degredo. A prova disso é que
eles abraçaram todos os grandes missionários do pretérito, vendo neles
os avatares do seu Redentor. Viasa foi instrumento das lições do Cristo,
seis mil anos antes do Evangelho, cuja epopéia, em seus mínimos
detalhes, foi prevista pelos iniciados hindus, alguns milênios antes da
organização da Palestina. Krishna, Buda e outros grandes enviados de
Jesus ao plano material, para exposição de suas verdades salvadoras,
foram compreendidos pelo grande povo sobre cuja fronte derramou o
Senhor, em todos os tempos, as claridades divinas do seu amor desvelado
e compassivo. Mas, como se a questão fosse determinada por um
doloroso atavismo psíquico, o povo hindu, embora as suas tradições de
espiritualidade, deixou crescer no coração o espinho do orgulho que, aliás,
dera motivo ao seu exílio na Terra.
Em breve, a organização das castas separava as suas coletividades
para sempre. Essas castas não se constituíam num sentido apenas
hierárquico, mas com a significação de uma superioridade orgulhosa e
absoluta. As fortes raízes de uma vaidade poderosa dividem os espíritos
no campo social e religioso. Os filhos legítimos do país dão-se o nome de
árias, designação original de sua raça primitiva, e o seu sistema religioso,
de modo geral, chama-se "Ária-Darma", que eles afirmam trazer de sua
longínqua origem, e em cujo seio não existem comunidades especiais ou
autoridade centralizadora, senão profunda e maravilhosa liberdade de sentimento.

OS RAJÁS E OS PÁRIAS
Na verdade, esses sistemas avançados de religião e filosofia evocam
o fastígio da raça no seu mundo de origem, de onde foi precipitada ao orbe
terreno pelo seu orgulho desmedido e infeliz.
Os arianos da Índia, porém, não se compadeceram das raças
atrasadas que encontraram em seu caminho e cuja evolução devia
representar para eles um imperativo de trabalho regenerador na face da
Terra; os aborígenes foram considerados como os párias da sociedade, de
cujos membros não podiam aproximar-se sem graves punições e severos
castigos.
Ainda hoje, o espírito iluminado de Gandhi, que é obrigado a agir na
esfera da mais atenciosa psicologia dos seus irmãos de raca não
conseguiu eliminar esses absurdos sociais do seio do grande povo de
iniciados e profetas. Os párias são a ralé de todos os seres e são
obrigados a dar um sinal de alarme quando passam por qualquer caminho,
a fim de que os venturosos se afastem do seu contágio maléfico.
A realidade, contudo, é que os rajás soberanos, ao influxo da
misericórdia do Cristo, voltam às mesmas estradas que transitaram sobre
o dorso dos elefantes ajaezados de pedrarias, como mendigos
desventurados, resgatando o pretérito em avatares de amargas provações
expiatórias. Os que humilharam os
infortunados, do alto de seus palácios resplandecentes, volvem aos
mesmos caminhos, cheios de chagas cancerosas, exibindo a sua miséria e
a sua indigência.
E o que é de admirar-se é que nenhum povo da Terra tem mais
conhecimentos, acerca da reencarnação, do que o hindu, ciente dessa
verdade sagrada desde os primórdios da sua organização neste mundo.

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