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Família e parentela
Emmanuel nos ensina que nem sempre os laços de sangue reúnem almas essencialmente afins

 •  José Luiz Condotta

Jesus, quando na Terra, deu uma importância especial à família: queria que os homens se amassem, para formar uma grande família universal. No livro Caminho, Verdade e Vida1, Emmanuel nos ensina que nem sempre os laços de sangue reúnem almas essencialmente afins. Frequentemente, pelos laços consanguíneos, grandes inimigos são obrigados a renascerem sob o mesmo teto, a trocarem afetos, muitas vezes amorosos.
Todos somos irmãos, constituindo uma única família, perante Deus; mas, até alcançarmos a fraternidade suprema, estagiaremos de família em família, de aprendizado em aprendizado e de reencarnação em reencarnação.
O colégio familiar tem suas origens na esfera espiritual. Em seus laços, reúnem-se todos aqueles que se comprometeram, no Além, a desenvolver, na Terra, uma tarefa construtiva, em busca da fraternidade real e definitiva.
De família em família, hoje estamos inseridos na companhia de criaturas, sejam pais, filhos, esposos e outros parentes. Estamos nos defrontando com sentimentos dos mais variados e, juntos, partilhamos das desavenças, das crises em que nos inquietamos, ou seja, das nossas provas. Outros já passaram por determinada fase, conquistaram experiências e já adquiriram certas virtudes, adaptando-se melhor no agrupamento familiar.
A Sociologia
A sociologia considera a família como sendo a célula máter de uma sociedade. É o denominador comum de toda a humanidade. É, através da família, que se transmite o patrimônio cultural de uma sociedade e de uma nação: os hábitos, os costumes, a escala de valores, a própria língua pátria e o sentimento de patriotismo.
Família e Parentela
No mesmo livro, Emmanuel1 chama a nossa atenção e sugere uma divisão no conceito de família: a família (propriamente dita) e a parentela.
A parentela seria um grupo de espíritos encarnados num campo de lutas, por vezes duras, para diluírem as imperfeições das suas almas. Um grupo consanguíneo a que, forçosamente, vincula-se, por reminiscências do passado ou imposições de afinidade, com vistas à melhora pessoal. Já a família seria o símbolo dos laços eternos do amor. Seriam almas extremamente afins, sintonizadas, portadoras de condições mais apuradas, no que diz respeito às perfeições da alma, ou seja, de mais virtudes.
Todos nós sabemos que os animais, ao cabo de certo tempo, abandonam as suas crias. Levando isso em consideração, vem a pergunta de Kardec ao Espírito da Verdade2: “Os laços de família não seriam um resultado dos costumes sociais e não efeito de uma Lei da Natureza?” Como resposta: “Diverso dos animais é o destino dos homens. Por que querem compará-los? Há nos homens alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis porque os laços familiares tornam-se uma Lei da Natureza. Quis Deus que, por esta forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos”. Kardec, dessa forma, realça a importância da família.
Kardec3 ainda nos ensina: “Há duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis as primeiras que se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissociam já na existência atual”.
Associando as palavras de Kardec com a mensagem de Emmanuel, fica evidente que temos muito mais parentelas do que famílias, nos dias de hoje, se considerarmos tudo o que presenciamos, assistimos e sentimos no mundo moderno.
Pelo entendimento, na parentela, verificam-se laços tênues entre os membros que, juntos, convivem e, na família, uma união de sintonia, de compreensão, de respeito e de amor, ingredientes para que os laços se tornem mais apertados.
Com os esclarecimentos de Kardec e Emmanuel, modificam-se o raciocínio e o conceito acerca do que seja uma família. Não mais sendo um grupo de seres ligados pelos laços consanguíneos, mas uma reunião de espíritos unidos pela necessidade de evolução.
Como os homens se agrupam?
Ninguém renasce, nesta ou naquela família, sem atender a exigências de uma escolha, ou afinidade, ou expiação, ou, ainda, por uma tarefa específica. O espírito vem trabalhar junto daqueles com quem lhe compete evoluir, aprimorar-se, quitar-se, desincumbir-se de certos encargos ou atender programas de ordem superior. Sendo uma programação reencarnatória, ninguém dispõe do direito de deserção da família só porque aí não encontre criaturas capazes de lhe partilharem os desejos e os sonhos. É aí, exatamente nos conflitos e dificuldades, que se edificará a ascensão da alma. Desertando, dificilmente as pessoas conseguirão ficar livres da quitação dos débitos – é a Lei da Justiça.
Como tratar os familiares?
Kardec3 explica que o pai não gera o Espírito do filho, apenas fornece-lhe o envoltório corporal, mas deve auxiliar seu desenvolvimento intelectual e moral para fazê-lo progredir. Reporta, também, que os nossos entes queridos são consciências livres como nós mesmos. A equipe familiar nem sempre é um jardim de flores; por vezes, é um espinheiro de preocupações e angústias, que nos reclamam sacrifícios. Portanto, devemos ter paciência, compreensão, tolerância e bondade.
Devemos descartar os parentes difíceis?
Kardec reporta, no Livro dos Espíritos, que, embora os pais apenas contribuem para a formação do corpo somático dos filhos, podem existir muitas semelhanças morais entre eles, por se tratarem de espíritos simpáticos, atraídos pela afinidade de suas inclinações. Continua ensinando-nos que os espíritos podem ser completamente estranhos uns com os outros, separados por antipatias anteriores, que se expressam por um antagonismo manifestado agora, aqui na Terra, servindo de provações.
Dentro dessas explicações, nem todas as residências constituem lares, na verdadeira acepção da palavra. Existindo a falta de sintonia entre dois ou mais membros de uma família, erige-se o atrito, a desarmonia, o desentendimento entre marido e mulher, entre pais e filhos e entre outros parentes. São espíritos em débitos do passado, que devem se ajustar para evoluírem, daí surgirem um parente (ou agregado) difícil, um marido infiel, uma esposa problemática, um filho rebelde, uma sogra intrometida, um genro preguiçoso, uma nora fofoqueira, etc.
Muitas vezes, temos a tendência de isolar da nossa presença os parentes difíceis, deixando-os de lado e pouca ou nenhuma relação queremos manter com eles. Com isso, exteriorizamos as nossas deficiências e não arredamos o pé: eles para lá, e eu para cá. André Luiz4,5 nos instrui muito bem sobre isso: “Aceite os parentes difíceis na base da generosidade e da compreensão, na certeza de que as Leis de Deus não nos enlaçam uns com os outros sem causa justa”, e ainda: “Um parente-problema é sempre um teste para examinar a nossa evolução espiritual”.
Em qual lar não existem certos tipos de desacertos entre as pessoas? Quase todos. Mas, estamos aqui estudando e procurando entender que essas dificuldades podem e devem ser vencidas. Para alertar e facilitar o entendimento, André Luiz nos esclarece: “Muitas vezes as criaturas complicadas se agregam à nossa família, trazendo consigo marcas de sofrimento ou deficiências que foram impostas por nós mesmos em passadas reencarnações”; e mais: “Nas provações e conflitos do lar terrestre, quase sempre estamos pagando pelo sistema de prestações, certas dívidas contraídas por atacado”.
A importância da família.
A família está submetida à lei da reencarnação – a lei da justiça – que se revela nos menores detalhes da existência como uma longa série de causas e efeitos, explicando a existência do ser, do destino e da dor. Nesse contexto do ir e vir, da construção e reconstrução de situações, surgem os atenuantes e agravantes que repercutem, diretamente, na formação futura do agrupamento corporal e espiritual.
A família é importante, em incontáveis aspectos, mas um dos mais relevantes está na formação da personalidade da criança que chega a um lar. A quantidade e a qualidade dos afetos recebidos, na primeira infância, são determinantes na qualidade de vida do infante para que se torne um homem de bem.
Como estamos nós?
Emmanuel, depois dos conceitos referidos, conforta-nos dizendo que toda parentela se transformará, por força da evolução, em família, assim como todo ser humano caminha passo a passo para a perfeição.
Para refletirmos: estamos dentro de uma família ou de uma parentela? Se a resposta for parentela, uma nova questão: o que estamos fazendo para transformá-la em família?

BIBLIOGRAFIA:
1. XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel.
2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões 207 e 772.
3. ____. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. XIV.
4. XAVIER, Francisco Cândido. Estude e Viva. Pelo Espírito André Luiz.
5. ____. Sinal Verde. Pelo Espírito André Luiz.

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