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Retratos da Copa : A controversa demolição do Museu do Índio

Foto: Estadão ConteúdoÉ impossível abordar a questão dos povos indígenas no Brasil em poucas linhas. No entanto, a foto acima explica muita coisa. Primeiro foram os colonizadores europeus. Hoje em dia os índios brasileiros disputam espaço com grileiros de terra, fazendeiros, biopiratas e com o poder público em pleno centro urbano no Rio de Janeiro.
A Copa do Mundo de 2014 esbarrou nos povos indígenas. E as 23 famílias que ocupam o antigo Museu do Índio, no Maracanã, na região norte do Rio de Janeiro têm tudo para perder a disputa. O prédio está ocupado por ao menos 40 homens do Batalhão de Choque da PM desde a última sexta-feira. A desocupação depende apenas de um mandado de reintegração de posse. A prefeitura do Rio de Janeiro já autorizou a demolição do antigo museu para obras no entorno do Maracanã.
O entrave entre poder público e população indígena não é novo. O museu é o foco de intensa batalha judicial travada desde outubro, quando o Estado anunciou a compra do prédio e o projeto de demolição. Além das famílias que ocupam o local existem outras vozes dissonantes.
A própria necessidade de demolição é questionada. O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Roberto Anderson Magalhães fez um estudo sobre o escoamento dos torcedores para a Defensoria Pública da União (DPU) e acredita ser "tranquilamente" possível dispersar o público do estádio sem demolir o prédio. “O argumento de que tem que demolir para dar vazão [aos torcedores. Essa é a desculpa escondida, porque o governo alega que precisa de espaço no solo para dispersão do público a pé. Mas os cálculos, dizem que não [que o prédio não atrapalha]”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Foto: Estadão Conteúdo
O prédio que abrigava o antigo museu é de 1866. Sua demolição irá apagar parte da história cultural e arquitetônica da cidade do Rio de Janeiro e do país. Coloque na conta também 23 famílias de diferentes etnias que serão despejadas. Apesar dos apelos do cacique Carlos Tukano que exige uma conversa com o governador ou com o prefeito, o poder público só deve se fazer presente com a tropa de choque.
Desocupações de modo geral geram cenas fortes e tristes. Elas desgastam a imagem de qualquer político e de qualquer partido. O que causa espanto é que tanto barulho e a demolição do prédio histórico servirá apenas para a construção de um estacionamento e um centro de compras anexo ao estádio que vai abrigar a final do Mundial de 2014. Só que tudo bem... Vale tudo pela Copa do Mundo.

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