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Fé: terapia gratuita para tratar a depressão

Por Rita Donato

Já parou para pensar no significado da palavra fé? E a sua, é capaz de mover uma montanha? A crença, tratada na filosofia como condição psicológica que faz o ser humano definir um ideal como realidade absoluta, pode e deve ser usada em benefício próprio para ajudar no tratamento de doenças emocionais como a depressão.

É saudável buscar a religião como terapia. Um tratamento gratuito que garante amparo e permite a reflexão sobre a ciência da vida. Caminho natural para quem sobre grandes decepções como a perda de uma pessoa próxima. Juscilei de Cássio Brotti Marinho, a Jô, 52, passou pela experiência e procurou na igreja uma porta para sair da “escuridão”, como ela define o tempo que viveu depressiva por conta da morte do filho.

Em maio de 2009, Jô recebeu a notícia de que seu filho, que à época morava no Japão, havia sofrido um grave acidente de moto. Morreu com 22 anos. “Foi muito difícil aceitar, não conseguia superar. Demoramos um mês para trazer o corpo dele para o Brasil, um sofrimento que não desejo a ninguém.”

O sentimento de impotência por não poder ajudar filho que estava do outro lado do mundo, fez Jô desenvolver um quadro de depressão, que só conseguiu superar amparada pela religiosidade. “No primeiro ano ainda estava em busca (de um suporte psicológico), no segundo, caminhou melhor e só agora posso dizer: não estou depressiva. Consigo compreender que meu filho viveu feliz ao fazer tudo o que planejou.”
Jô mostra último cartão de Natal que o filho enviou do Japão: ‘A fé me ajudou a superar a perda’/Arquivo pesso …
Apegar-se à fé é fundamental para tratar a depressão, assegura a psiquiatra Elisa Brietzke, coordenadora científica do PRISMA (Programa de Reconhecimento e Intervenção em Estados Mentais de Risco) da Unifesp. Segundo a especialista, a espiritualidade não está diretamente relacionada à cura, mas é fator que torna o homem mais resistente a doenças psiquiátricas.

“Pessoas com atividade religiosa têm mais capacidade de enfrentamento, são mais resistentes contra a depressão”, ressalva a médica, ao garantir que, independentemente da religião, a prática ajuda no tratamento porque está relacionado à convivência em grupo. “Ela passa a ter um suporte da equipe.”

Especificamente em casos de luto, a fé pode dar o sentimento de transcendência, quando acredita-se que a vida não termina com a morte. “O fenômeno ajuda as pessoas a superarem o luto porque creem que existe um céu e a vida continua após a morte, ou, ainda, recorrem à simples ideia de que nossa existência importa para a humanidade, para a ciência”, explica psiquiatra.

Exatamente por acreditar na sua importância para a família, Jô conseguiu retomar a vida normal. “Buscamos em Deus um conforto. Encontrei. Compreendi que cada um tem de passar por seu próprio sofrimento, perdoar a quem culpamos por um determinado problema e seguir em frente. Tive fé e voltei a viver porque minha família precisava de mim.”

Comunicativa, independente e vaidosa, ela consegue encarar a tristeza da forma como deve ser. “Eu choro, mas as recordações me fazem bem”, compartilha a mãe, que guarda em um quarto todas as lembranças do filho. “Hoje, tenho plena consciência de que qualquer um é capaz de mudar a própria realidade. Gosto de me arrumar, me sentir bem, visitar amigos. A vida continua feliz porque entendi que meu filho não aprovaria minha tristeza.”

A RELIGIÃO CONFORTA
Orador espírita há 29 anos, Estevão Camolesi classifica a religião como “terapia assertiva” para eliminar a causa da depressão. “Para acabar com o efeito da doença são usados medicamentos que atingem o sistema nervoso central. Mas será que isso cura? A doutrina espírita diz que ajuda, mas é a terapia que resolve. Neste caso, a fé tem papel importante, sobretudo de conforto.”

Camolesi realiza em média 300 palestras ao ano sobre o tema e defende a busca da espiritualidade para tratar quaisquer problemas emocionais. “Terapia é pensar sobre a existência da vida e a religião cumpre bem este papel, de graça. O resultado deste tratamento é o bem, porque a pessoa não busca apenas uma cura para ela, mas para todos em sua volta.”

Para o padre Pedro Raimundo Dias, as pessoas não podem depender exclusivamente da religiosidade e acreditar que apenas a fé em Deus é suficiente para curar a doença. “Eles devem buscar tudo o que gostam para superar a depressão. A igreja colabora, mas também usamos o processo da exortação (uma advertência), quando falamos firmemente com alguém para mostrar que há outros caminhos para elevar a autoestima.”

Há 66 anos atuando como padre, o religioso usa um provérbio para aconselhar os fiéis a ter esperança de que a tristeza constante deve ser passageira. “Dizemos que nenhuma noite é tão longa nem tão escura que não acabe com a aurora dum novo dia. As pessoas precisam entender que a vida tem um sentido.”
Sérgio Bernardes, psicólogo que atua como pastor evangélico há 20 anos, alerta ao fato de vivermos uma geração atrelada ao relativismo, ao materialismo e às doenças emocionais, espirituais e morais. Na avaliação do evangélico, “a crise é tão profunda que as pessoas desconfiam das instituições e das autoridades públicas, privadas e religiosas.”

Diante da procura de um porto seguro, o pastor considera privilegiada a pessoa que consegue sair do “casulo no momento da frustração, medo e angustia” e confiar na igreja como uma alternativa para recuperar-se de uma depressão. “A constatação simples e incontestável é que o homem sem Deus vive sem esperança”, assegura, ao defender que “a única solução para esta geração (depressiva) está na fé em Cristo.”

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