Lição de Vida


O relógio tocou marcando sete horas. Lá fora, o sol prometia muito calor, e a criançada já estava brincando agitada.
Vítor espreguiçou na cama, relaxando os nervos, porque começaria a trabalhar às nove. Antes de se levantar fez uma oração. Ele se considerava uma pessoa segura, equilibrada, pregava a harmonia do mundo e acreditava que todos mereciam perdão. 
Após sua prece, se levantou feliz e foi tomar um banho rápido. Quando pegou sua roupa, viu que a calça escolhida estava rasgada. Aquilo o irritou profundamente. Ele, então, gritou para a esposa:
Helena, corra aqui!
Helena, a esposa, veio correndo, com a filha menor, que estava doente no colo. Ao ver a calça do marido rasgada, a mulher falou:
Desculpe-me, mas as crianças me deixam ocupada o tempo todo e agora, nossa Clarinha está com pneumonia... desculpe-me, vou dar um jeito nesta calça hoje, prometo. 
Mas Vítor parecia nem ter escutado a esposa dizer que sua filha estava doente, e continuou falando alto com Helena:
- “ Desculpa”, “desculpa”! É tudo o que você sabe dizer? Sabia que esta calça me custou os olhos da cara? 
Helena, calada, foi até o guarda-roupas e pegou outra calça igual a que estava rasgada.
Pouco depois, na mesa do café, ao ver que não tinha leite, Vítor novamente reclamou. E a esposa rapidamente, explicou:
- Me Desculpe querido, como a Clarinha está doente e enjoadinha, só me chamando, não quis deixá-la aqui em casa sozinha e não pude comprar o leite que acabou. 
Vítor engoliu alguns palavrões que desejava falar e saiu para o trabalho. Quando abriu o portão de casa, já atrasado para pegar o ônibus, encontrou o sogro, muito idoso, que pediu:
Vítor, desculpe te incomodar, mas é que a situação lá em casa não está nada boa, será que você pode me emprestar quinhentos reais?
Muito irritado, Vítor respondeu:
Ora, ora... o que o senhor está pensando? Que sou banco? Se eu tivesse quinhentos reais no bolso, não sairia agora para correr atrás de dinheiro. 
Nisso, o ônibus que Vítor ia pegar estava se aproximando. Ele fez sinal, mas o motorista não parou. Vítor ficou furioso e gritou:
Miserável! Vou chegar atrasado! 
Outro ônibus, porém, apareceu rápido, e Vítor entrou e se sentou.
Mas, enquanto o ônibus fazia o seu trajeto, Vítor começou a pensar que as suas atitudes em casa, com a família, não combinavam com o que ele dizia. Então, reconheceu que ele, tão seguro em exaltar a harmonia do mundo, não tolerou uma calça rasgada. Tão certo em prometer a si mesmo o equilíbrio, não se conformou com o café da manhã incompleto. Tão pronto em anunciar o seu perdão antes mesmo de ser ofendido pelas pessoas, não soube atender com gentileza o pedido de um parente em dificuldades, não pensando duas vezes na hora em ofender e dizer palavras grosseiras. 
E, assim, envergonhado por ter mudado tão rapidamente da serenidade para a perturbação, Vítor começou a perceber que, entre ele e o resto do mundo, surgia o seu lar, a sua família, pedindo sua atenção e carinho, e que aquela paz que tanto desejava, só seria possível de ser sentida se ele tivesse paz interior.

LIÇÃO DE VIDA:

Só conseguimos a paz verdadeira quando estamos bem com aqueles que amamos!!!

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