Paisagismo Legal


Rezar é bacana. Acalma a alma e faz alguma coisa acontecer na sequência com a mesma naturalidade do sol. Afasta o fantasma do medo. Meio parecido com o amor, aquele abstrato absoluto que feito oração, é tão recitado.  Como o amor, uma oração é um mergulho que não se dá em água rasas. Não casa com superficialidade, tem que ir um pouco mais para dentro. Às vezes, tem até que faltar o ar para a gente lembrar de rezar. Rezar que não é somente uma repetição de palavras bonitas mas também o cavocar do chão de dentro em busca do fio condutor. O fio que nos liga ao Infinito que nos rega de águas frescas pela janela que nunca se fecha. Mas como?
A gente se pergunta: _  Para quem se reza? Por que se reza? Para quê?
Você fecha seus olhos, encolhe-se em suas entranhas e busca. Rezar é como sair para procurar. O retorno, o caminho de volta ao colo que nos embala na origem. Na essência. A gente quer o encontro.  Reza-se ao Incomensurável que parece maior que tudo e ao mesmo tempo parece estar ao alcance de um abrir e fechar de nossos olhos.  Reza-se porque somos frágeis e porque adoramos o mistério. Rezamos pela ligação inegável que temos com o Infinito na tentativa tão bonita de re-ligar. Unir nossa humanidade com a nossa divindade. Rezamos para pedir. Um pouco mais de calma, um pouco mais de sabedoria. Saúde, prosperidade, amor, perdão, rezamos pelo imaterial. Pedimos luz para nossos corações-candeeiros. E sempre somos atendidos, mesmo quando isso passa despercebido. Toda prece faz sentido.
Parece-me, no entanto,  que a forma mais genuína de oração é o ‘agradecer’. Deixar desfilar pela consciência todos os benefícios dos nossos dias: O osso que quebrou e colou, o osso que não quebrou, a vizinha que baixou o som, o primeiro passo de um filho, o primeiro passo de uma recuperação, a beleza de uma nova estação. Agradecemos por não ter sido pior e pelo melhor que conseguiu acontecer. Agradecemos os sorrisos que são tantos, e agradecemos as águas do nosso pranto. A gente agradece as marcas que ficam. Na pele, nos olhos, na alma, na vida. A gente agradece as cicatrizes, nossas tatuagens, símbolos de superação. A gente agradece a miríade de sentimentos sentidos, e agradece todos os sentidos que dão sentido à vida de cada um. A gente agradece a grandiosidade da vida e as pequenezas que nos fazem tão bem. A gente reza.
E assim acontece. A cada manhã, antes de dormir, no meio de uma dor, de um desespero, na agudez de uma angústia, no êxtase de uma conquista, no agradecer de tantas graças.  Em cada par de olhos, uma oração. É estranho. Bastante estranho esse mundo de estranhezas bonitas. A fé. O sal de toda prece que à quase tudo parece poder transformar, pode fazer de um muito simples abrir e fechar de olhos que acredita na vida um gesto de que salva, que transforma carência em coragem, em força, em alegria e em muito mais amor para nossas vidas. A fé é a àgua fresca que liberta-nos da dor . É linda, brilha e como um ser sussurrante que se esbalda dentro da gente, quer sempre nos lembrar : num abrir e fechar de olhos tudo pode mudar.

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